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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

AOS VENEZUELANOS: 14 ditadores que foram arrancados do poder pelo próprio povo

1. Muammar Kadafi
(Mahmud Turkia/AFP) 
Ele chegou ao poder na Líbia aos 27 anos, em 1969, quando liderou um golpe de estado para derrubar o regime monarca que predominava no país africano. Kadafi foi então nomeado comandante-chefe das forças armadas e presidente do Conselho do Comando Revolucionário, o órgão que controlava o governo recém-instalado. Passo a passo, Kadafi foi conquistando mais poder. Em 1970, ele removeu da Líbia as bases militares dos Estados Unidos e do Reino Unido, e com o tempo foi eliminando o parlamento, os partidos políticos, os sindicatos e até as organizações não-governamentais. O ex-ditador líbio permitiu que apenas um grupo seleto de pessoas, que incluía muitos membros de sua família, governasse a Líbia, nono maior produtor de petróleo do mundo e que nos últimos anos acumulou uma grande riqueza. Estimulados pela Primavera Árabe, que tirou do poder os líderes no Egito e na Tunísia, os líbios foram às ruas iniciando um combate contra Kadafi, ao mesmo tempo em que o ex-ditador usava a violência para calar a voz do próprio povo. Em 22 de agosto, a capital Trípoli foi tomada pelos rebeldes. Em 20 de outubro, Mahmoud Jibril, primeiro-ministro do governo de transição, declarou: "Nós esperamos muito tempo por esse momento. Muammar kadafi está morto." 

2. Saddam Hussein
(Getty Images) 
As forças armadas dos Estados Unidos levaram pouco mais de três semanas entre o final de março e início de abril de 2003 para derrubar o regime do ditador iraquiano Saddam Hussein. Ao mesmo tempo em que a estátua do ex-tirano era derrubada em Bagdá, o próprio ditador fugia para o interior do país, já tendo em vista que seu regime havia acabado. Nos sete meses seguintes, o exército americano matou os filhos de Saddam Hussein, Uday e Qusay, e iniciou uma caçada ao ex-líder iraquiano na sua cidade natal, Tikrit. Encontrado dentro de uma tubulação, ele foi puxado por soldados dos EUA à força. Aparentemente debilitado, foi julgado em 5 de novembro de 2006 à pena de morte por enforcamento. Ele foi acusado de ter cometido crimes contra a humanidade. No dia 26 de dezembro de 2006, um tribunal de apelação do Iraque confirmou a sentença. Saddam Hussein comandou o Iraque entre 1979 e 2003 e foi considerado uma das principais lideranças ditatoriais do mundo árabe. 

3. Hosni Mubarak
(Getty Images) 
Hosni Mubarak é um militar egípcio, governou seu país de 14 de outubro de 1981 a 11 de fevereiro de 2011, quando apresentou sua renúncia ao cargo com 82 anos, após 18 dias de protestos no Egito. Sua carreira política começou em 1975 como vice-presidente. Com o assassinato de seu antecessor Anwar El Sadat, ele assumiu o poder. Sob Mubarak, o Egito continuou sua reaproximação com os Estados Unidos, ganhando bilhões de dólares em ajuda, em troca de manter o apoio a Israel e reprimir as disputas islamicas. Embora Mubarak tenha ganho quatro eleições nacionais durante o período em que esteve no poder, ele somente permitiu candidatos rivais na eleição de 2005. Mesmo assim, observadores internacionais apontaram irregularidades na votação. Com a Primavera Árabe, cerca de 850 pessoas foram mortas durante semanas de protestos ocorridas no início deste ano no Egito. Em 11 de fevereiro de 2011, Mubarak renunciou juntamente com seu vice. Aos 83 anos de idade, ele agora aguarda julgamento no Cairo pela morte de manifestantes - e fez sua primeira aparição no tribunal em uma cama de hospital.

4. Slobodan Milošević
(Getty Images) 
Em meados de outubro de 2000, milhares de sérvios tomaram o poder do presidente Slobodan Milošević que comandou o país europeu entre 1989 e 1997, e posteriormente a República Federal da Iugoslávia de 1997 a 2000. Milošević deixou o poder entre manifestações que se seguiram à concorrida eleição presidencial de 24 de setembro de 2000. Ele se recusou a aceitar o resultado das urnas, e o mesmo povo que treze anos antes o levara ao poder exigiu sua deposição. Ele foi preso pelas autoridades federais em 31 de março do ano seguinte, após o Tribunal Penal Internacional em Haia ter solicitado sua detenção. Ele foi acusado por crimes de guerra contra a humanidade e genocídio, cometidos durante a guerra civil iugoslava. Milošević foi encontrado morto em sua cela em 11 de março de 2006, no centro de detenção do tribunal penal em Scheveningen (Haia). Ele sofria do coração e pressão alta. Suspeitas de possível envenenamento até foram levantadas, mas o relatório final do inquérito concluiu que o ex-líder morreu de causas naturais, descartando a presença de qualquer substância que poderia provocar um problema cardíaco. 

5. Adolf Hitler
(Flickr) 
Ele ocupou o poder na Alemanha entre 1934 e 1945. Durante este período, especialmente na Segunda Guerra Mundial, suas tropas foram responsáveis pela morte de seis milhões de pessoas que Hitler considerava inferiores. Dentre as vítimas do Holocausto estavam judeus, negros, homossexuais e outras minorias que não se encaixavam no que o führer chamava de “raça ariana”, ou "raça superior". O genocídio que o líder alemão comandou está entre os momentos de maior terror da história da humanidade. Adolf Hitler cometeu suicídio no seu quartel-general (o Führerbunker), em Berlim, em 30 de abril de 1945, enquanto o exército soviético combatia as suas tropas. Segundo testemunhas, Adolf Hitler já teria admitido que havia perdido a guerra desde o dia 22 de abril, quando já passavam por sua cabeça os pensamentos suicidas. 

6. Jean-Claude Duvalier 
(Getty Images) 
Jean-Claude Duvalier, mais conhecido como Baby Doc, é um ex-ditador do Haiti, tendo sucedido seu pai, François Duvalier, no posto de presidente da República. Ele comandou o país entre 1971 e 1986. Ele assumiu o poder aos 19 anos, sendo considerado o presidente mais jovem do mundo. Na figura do governante novato, a população esperava ver renovada a imagem internacional do país, manchada pelo governo repressivo de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc. Contudo, o que se viu foi o inexperiente chefe de estado seguir os passos de seu antecessor, mantendo a violência contra opositores, mesmo que de uma maneira menos explícita. O rigor da repressão, o aumento da corrupção e o descontentamento crescente da comunidade de negócios e de outros setores do país com o governo desestabilizaram o Haiti. Com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby Doc fugiu para um exílio na França. Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização. 

7. Ferdinand Marcos
(Wikimedia Commons) 
Ele presidiu as Filipinas entre 1965 e 1986. Durante o seu governo realizou reformas econômicas e sociais, elaborando uma nova constituição em que atribuía mais poderes à Presidência. A forte oposição o levou a prender os seus líderes e a instaurar a lei marcial, iniciando uma guerra contra os separatistas muçulmanos. Marcos levantou a lei marcial em 1981. Milhares de filipinos foram torturados, sequestrados, executados ou desapareceram durante o seu regime. Ao mesmo tempo, a corrupção do governo aumentou, bem como a pobreza e a guerrilha. Em 25 de fevereiro de 1986, sob manifestações populares, o presidente das Filipinas foge do palácio presidencial em Manila em um helicóptero militar dos Estados Unidos para o aeroporto e, de lá, viaja para o Havaí. Ele morreu no exílio em 1989, três anos depois de ser derrubado pela revolta popular pacífica apoiada pela Igreja Católica e o exército. 

8. Alfredo Stroessner
(Wikimedia Commons) 
Alfredo Stroessner foi um político, general de exército e presidente do Paraguai entre 1954 e 1989. Ele se tornou comandante do exército e alcançou o posto de general-de-divisão, tirando Federico Chávez da Presidência com um golpe de estado. Ele chegou ao poder e foi reeleito, em pleitos marcados pela fraude, por sete mandatos consecutivos (em 1958, 1963, 1968, 1973, 1978, 1983 e 1988), desfrutando por 35 anos do mais longo governo na América Latina, atrás apenas de Fidel Castro. Seu regime foi marcado pela dura repressão aos opositores, denúncias de corrupção e execuções de supostos guerrilheiros em locais públicos. Em 1989, o ex-ditador foi derrubado por um golpe de estado, liderado pelo general Andrés Rodríguez, sendo expulso para o Brasil. Ele morreu aos 93 anos, em Brasília, vítima de problemas pulmonares, após 17 anos de exílio. 

9. Idi Amin
(Getty Images) 
Idi Amin foi um militar e ditador de Uganda, que governou o país de 1971 a 1979. Sua ditadura foi caracterizada por genocídios e requintes de crueldade utilizados nas execuções. Ele assumiu o governo de Uganda quando era comandante-chefe das Forças Armadas, destituindo o antigo governo civil. Era defensor de Adolf Hitler e favorável à extinção do Estado de Israel. Seu estilo de governar era arbitrário, seu temperamento excêntrico, vingativo e violento. Expulsava imigrantes, sobretudo asiáticos. Muitos ugandenses o acusavam de manter cabeças decepadas em uma geladeira, de alimentar crocodilos com cadáveres e de ter desmembrado uma de suas esposas. Alguns diziam que ele praticava canibalismo. O seu governo terminou em 1979, quando as tropas da Tanzânia, que nunca reconheceram o seu governo, o destituíram sob o apoio dos ugandenses. Ele fugiu para a Líbia, mas teve de procurar um novo refúgio quando Muammar Kadafi o expulsou do país. Recebeu asilo da Arábia Saudita em nome da caridade islâmica, onde passou a viver até o fim de sua vida, acompanhado pelas suas quatro esposas e seus mais de 50 filhos. 

10. Mobutu Sese Seko
(Flickr) 
Foi o presidente do Zaire entre 1965 e 1997. Com uma imagem marcada pelo uso de um barrete de pele de leopardo e uma bengala, ele entrou para a história contemporânea de África como um dos mais poderosos governantes do continente. Antigo membro do exército colonial belga (1948-1956), Seko filiou-se em 1958 ao Movimento Nacionalista do Congo (MNC) de Patrice Lumumba, que o nomeou chefe de estado do exército, após a independência do país em 1960. Ele tomou o poder por meio de um golpe de estado, encerrando o governo de Lumumba. Em 1965, depois de um segundo golpe de estado, assumiu a presidência da república, eliminando os opositores, ampliando seus poderes por meio de várias reformas constitucionais e criando, em 1967, o Mouvement Populaire de la Révolution (MPR), partido do regime que propunha o regresso às tradições africanas. Em 1971, o Congo passou a se chamar Zaire. A ofensiva dos rebeldes tutsis, apoiada por Ruanda, no outono de 1996, pôs fim a seu regime. Em 16 de maio de 1997, o ditador, gravemente doente, fugiu das tropas do líder rebelde Laurent-Desiré Kabila, que deu novamente ao Zaire o nome de República Democrática do Congo. 

11. Benito Mussolini
(Wikimedia Commons) 
Benito Mussolini foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é conhecido como um dos criadores do Fascismo. Ao contrário do mistério que envolve a morte de Adolf Hitler, o fim de Mussolini era indiscutível. Ele governou a Itália a partir de sua eleição como primeiro-ministro em 1922 até ser deposto e encarcerado pelo Grande Conselho do Fascismo, em 1943. Os fascistas usavam meios violentos para reprimir seus adversários. Em 1925, Mussolini estabeleceu o regime ditatorial, tornando-se o "duce" (condutor) do país. Inicialmente, Mussolini aparentava ser um líder anticomunista e, nesse sentido, agradava às potências ocidentais, como a França e a Inglaterra. Em 1936, porém, deu início a uma política expansionista na África e invadindo a Etiópia. Com isso, acabou se aproximando da Alemanha de Hitler - cujas idéias se baseavam nas de Mussolini. Seus fracassos militares deram alento às forças anti-fascistas na Itália. Em 1943, foi deposto e preso. Hitler ordenou pessoalmente uma missão para tirar Mussolini da prisão. A operação, conhecida como “II Duce” teve sucesso, mas depois ele foi capturado e executado por guerrilheiros comunistas em abril de 1945. Seu corpo foi pendurado de cabeça para baixo em Milão. 

12. Antonio Salazar
(Wikimedia Commons) 
Após a proclamação da república de Portugal em 1910 e o golpe de estado que instaura a ditadura militar no país europeu em 1926, perdurando por mais de quatro décadas, António de Oliveira Salazar assumiu ao cargo de primeiro-ministro em 1932, montando um regime (denominado Estado Novo) de inspiração fascista, cujas peculiaridades lhe renderiam o nome de salazarismo. Em 1933, ele promulgou o Estatuto do Trabalho Nacional, que colocava sob controle estatal as associações operárias e patronais. A consolidação do regime foi alcançada por meio da instituição da censura e do controle ideológico (Secretariado Nacional de Propaganda) e de uma polícia política de poderes quase ilimitados, a famosa PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado). A mão firme do governo não é sentida não apenas em casa, como também nas colônias africanas de que o país não abre mão. A recusa em conceder-lhes a independência estimulou movimentos guerrilheiros de libertação. Salazar comandou Portugal até 1968, quando sofre um derrame cerebral e foi substituído por Marcello Caetano, ex-ministro das Colônias. A ditadura salazarista foi abolida em 25 de abril de 1974, por um movimento militar pacífico, a Revolução dos Cravos. 

13. Fulgencio Batista
(Wikimedia Commons) 
Ele foi quem ostentou de fato o poder em Cuba de 1933 a 1940, e foi presidente oficial do país de 1940 a 1944 e novamente de 1952 a 1959, como ditador. No primeiro período de seu governo entre 1933 e 1944, Batista consolidou o seu poder concentrando em si todas as nomeações para os cargos públicos. Durante o primeiro mandato, Cuba cooperou na Segunda Guerra Mundial com os aliados e declarou guerra ao Japão, Alemanha e Itália. Em março de 1952, ele regressou ao poder, novamente através de um golpe militar. Passou então a governar como um verdadeiro ditador, contando com o reconhecimento diplomático e apoio militar dos EUA. Ele instaurou um regime autoritário, mandando prender os seus opositores e restringindo as liberdades através do controle da imprensa, da universidade e do congresso, usando métodos terroristas e fazendo fortuna para si e para seus aliados. Batista foi deposto por Fidel Castro em 1959 e obteve exílio permanente na Ilha da Madeira e no Estoril, em Portugal, e depois na Espanha, morrendo em Guadalmina. 

14. Pol Pot
(Wikimedia Commons) 
Saloth Sar ficou conhecido no mundo todo como Pol Pot, nome que adotou pouco antes de assumir o poder no Camboja. Ele governou o país asiático entre 1963 e 1979. Apesar de seu governo não ter sido um dos mais extensos, se comparado ao de outros ditadores, 16 anos foi tempo de sobra para as atrocidades cometidas pelo líder cambojano. Em apenas quatro anos, entre 1975 e 1979, o regime comunista de Pot executou cerca de dois milhões de pessoas, quase 25% da população do país naquela época. A maioria das vítimas fazia parte do governo anterior: funcionários públicos, policiais, militares e professores. Outros grupos que sofreram com a perseguição e morte foram o de cristãos e o de muçulmanos. Ele morreu aos 73 anos de ataque cardíaco em 15 de abril de 1998. Seu corpo foi queimado na área rural do Camboja e ele nunca foi julgado pelas atrocidades cometidas.
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