quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ELAS ESTÃO MORRENDO AOS POUCOS! - Para um triste fim caminha o Brasil

Durante o governo militar, o retorno delas era de 12% ao ano, parecido com os retornos em outros países desenvolvidos, mas de lá para cá esse retorno se deteriorou constantemente e assustadoramente. 

A constatação está no Diagnóstico da Situação das 500 Maiores Empresas do Brasil, por Stephen Kanitz - professor, consultor de empresas e conferencista brasileiro, mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo. O professor  apresenta os principais resultados das 500 Maiores Empresas Brasileiras, ao longo de 46 anos, num estudo inédito de suma importância para as perspectivas de crescimento do Brasil.

Segundo o professor,  essa série de dados não é compilada pelo IPEA, IBGE, FGV, nem analisada nas reuniões do BC antes de determinar a taxa de juros. "A maioria de nossos decisores políticos não saberiam responder “qual o retorno médio de investimento de nossas empresas”, talvez o indicador mais importante de um país que queira crescer independentemente da ajuda do Estado. Não sabem o retorno médio das 500 maiores que representam 25% do PIB, arrecadam 50% dos impostos, representam 50% das exportações, determinam o tom da economia", observa o prof. Stephen Kanitz.

Esses dados apresentam uma visão assustadora da constante deterioração das 500, que nenhum governo até agora prestou a devida atenção. Todos os governos, como todos os assessores dos candidatos atuais, estão mais preocupados com a deterioração das finanças do Estado esquecendo-se do outro pé muito mais importante, que são as finanças das 500 maiores. Justamente as geradoras de emprego, impostos e crescimento. Uma rápida olhada nos 16 gráficos do anexo, que sugerimos seja visualizado rapidamente agora, já resume a gravidade da situação. 

Resumindo, as 500 Maiores empresas do Brasil: 

1. Não conseguem mais retorno suficiente para financiar o Estado. E temos três candidatos que querem aumentar o imposto de renda sobre retorno de investimento.

2. Não conseguem mais retorno suficiente para financiar seu próprio crescimento futuro. 

3. Não conseguem sequer remunerar adequadamente seus acionistas. E tem um candidato que quer taxar dividendos. 

4. O retorno médio não remunera mais o risco de se empreender no Brasil. Isso já era conhecido para a pequena e média empresa, onde todas estão à venda ou querendo fechar, mas que as 500 estão na mesma situação é preocupante.

5. O lucro reinvestido não permite mais o crescimento necessário. Reinvestimento de lucros se tornou a principal fonte de investimentos das empresas, depois que o Plano Real limitou a capacidade dos bancos brasileiros de financiar a produção.

6. O endividamento das empresas, como contrapartida ao lucro insuficiente, chegou ao seu limite máximo em 2018.

7. A produtividade das empresas, que atingiu seu pico máximo em 1979, de lá para cá tem caído ano após ano, quando deveria ser o contrário.

8. Mais dramático ainda, as empresas estão com capacidade ociosa, mas sem capital de giro suficiente para “girar” os equipamentos atualmente ociosos. Por isso o Brasil não cresce em 2018, e não crescerá em 2019. 

“Salvar” o Estado, agenda de todos os candidatos até agora, de nada adiantará se não revertermos esta deterioração constante da empresa brasileira.

Qual o retorno sobre investimento da empresa brasileira?

É de apenas 2% ao ano. "Isso jamais poderia ter sido ignorado pelos nossos formuladores de políticas econômicas, especialmente sendo uma tendência de 46 anos. Somos sim uma nação obcecada com taxa de juros, meta da inflação, superávit primário, mas não com o indicador mais importante do sucesso do capitalismo brasileiro". 

"Esses 2% ao ano são uma média, 35% das empresas possuem retorno de zero a negativo, algo extremamente grave. Com tendência dessa média de 2% atingir zero% a partir de 2022 a 2025. Isso é muito grave. Mostra a total desatenção do governo com a economia real".

Os lucros reinvestidos são nossa quase única fonte de crescimento, não faz o menor sentido nossa política econômica de taxar os lucros numa alíquota de 35%, que chega a 50% depois da proibição do Plano Real de correção monetária dos efeitos da inflação.

Embora as 500 maiores possuam em média 6.000 empregados cada, na média dos últimos anos contrataram menos do que 50 empregados por ano. Isso mesmo, meros 4 empregos por mês.

O professor é taxativo: "Entre salvar o Estado e salvar as Empresas, nossa prioridade seria sem dúvida salvar as empresas urgentemente. Não que reduzir as despesas do Estado não seja uma prioridade, mas urgente mesmo é aumentar a capacidade das 500 maiores empresas gerarem impostos necessários. O colapso das 500 maiores empresas, sem falar o das pequenas e médias empresas é o problema número 1 da nossa economia, totalmente ignorado e desconhecido. Elas vêm deteriorando há 46 anos, mas nenhum governo sequer percebeu, e nenhum de nossos melhores economistas sequer alertou que isso é um enorme problema".

As maiores empresas arrecadam 50% dos impostos nesse país. Estamos matando as galinhas de ovos de ouro, e nenhum de nossos candidatos se dá conta?

As seguintes séries históricas falam por si.

As soluções são, portanto, óbvias em resumo. A Rentabilidade da Empresa Brasileira vem caindo constantemente desde 1974, quando era um saudável 14% ao ano, para -3% em 2015.

1. A empresa brasileira não possui uma Bolsa pungente porque sua rentabilidade não atrai acionista.

2. A empresa brasileira não possui crédito bancário a longo prazo porque também não consegue remunerar os juros.

3. A empresa brasileira fica assim restrita ao financiamento por reinvestimento de lucros, que são cada vez menores.

4. A capacidade da empresa brasileira se endividar, esgotou-se.

5. A rentabilidade da empresa brasileira não compensa mais o risco de se empreender no Brasil.

É assustador que nem direita nem esquerda acompanharam o desempenho ao longo desses últimos 40 anos, da lenta e constante deterioração da capacidade de financiamento da empresa brasileira. Hoje, as 500 maiores empresas brasileiras são literalmente predadoras das pequenas e médias que as servem.

Exigem prazos de pagamentos de 180 dias, e ainda atrasam. Basta perguntar aos fornecedores da Ambev, Lojas Americanas, duas empresas que deveriam estar financiando seus parceiros e não vice-versa.

1. Todas as políticas econômicas de "fortalecimento" da empresa brasileira foram equivocadas.

2. A grande política de mais de 30 anos, "A Substituição das Importações" foi equivocada.

3. Todas as políticas em torno do BNDES foram equivocadas. Deixaram as empresas brasileiras mais vulneráveis e fracas.

4. Voltamos a ser exportador de matérias primas, minério, frango e soja.

5. As empresas não estão mais "respondendo" à redução de juros, e "estabilidade econômica".