quinta-feira, 26 de julho de 2018

LINCHAMENTO = Ausência do Estado + impunidade + barbaridade


Para os pesquisadores da ONG denominada de Instituto de Cidadania Ativa, o linchamento “Denota um estrangulamento na credibilidade das instituições que deveriam estar respondendo com um trabalho eficaz na segurança e na prática da justiça. Sim, porque o linchamento hoje em dia praticado, traz em seu bojo além de um conceito intrínseco de descrédito de que os criminosos sejam punidos de forma tal que faça com que haja decréscimo nos atos ilícitos, há também, ao que parece, um momento em que as pessoas colocam para fora seus estresses, seus sentimentos de desilusão, suas mágoas, contando com a possibilidade grande de não ser reconhecido”.

Num documento de 53 páginas, os pesquisadores da ONG definem o que é o linchamento e contextualiza sua prática no Brasil, destacando casos de terror ocorridos no Maranhão nos últimos tempos e as ações do chamados “justiceiros”.

O QUE É LINCHAMENTO?
“Linchamento ou linchagem é o assassinato de uma ou mais pessoas cometido por uma multidão com o objetivo de punir um suposto transgressor ou para intimidar, controlar ou manipular um setor específico da população. O fenômeno está relacionado a outros meios de controle social, mas tem a característica de se tornar um tipo de espetáculo público”.

O presidente da ONG e Coordenador das pesquisas realizadas, Dr. Maurício Miguel, explica que na horrenda prática do linchamento, o agressor age de forma impulsiva e, violentamente fora do marco da razão. “Na multidão, o agressor age como se não fosse ele mesmo, como se fosse outro sujeito realizando justiça. Raramente recorda-se do que fez e de como o fez”, observa o pesquisador.

MAS O QUE LEVA UM GRUPO DE PESSOAS A ADOTAR UMA AÇÃO TÃO CRUEL E IRRACIONAL?
A ONG cita especialista para dizer que “o Brasil passa por uma crise política e moral que se traduz em crescente descrença nas instituições do Judiciário, Legislativo e Executivo. “No geral, a população perdeu a confiança na polícia e na Justiça e cada vez mais faz justiça pelas próprias mãos”.

O DOCUMENTO CITA O CASO DE FABIANE MARIA DE JESUS, DE 33 ANOS.
“Em 03 de maio de 2014, em Morrinhos IV, bairro periférico da cidade do Guarujá, localizada no litoral de São Paulo. Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, dona de casa e mãe de duas crianças, foi espancada até a morte ao ser confundida com uma sequestradora de crianças e adepta de rituais de "magia negra”. Sem nenhuma chance de defesa, Fabiane sucumbiu diante da multidão enlouquecida, que a agredia em meio a xingamentos e berros por justiça”.