quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Companheiro de crimes entrega o Chefão: "Lula recebeu o sítio em Atibaia e mais R$ 300 milhões como pagamento de propina"



O ex-ministro Antonio Palocci declarou à Justiça que os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff participaram, em 2010, de uma reunião com o empresário Emilio Odebrecht na qual foi discutido o pagamento de R$ 300 milhões em "contribuição".


O encontro ocorreu em 30 de dezembro daquele ano, afirmou Palocci ao juiz Sérgio Moro nesta quarta-feira (6). Palocci afirma que a reunião se deu em meio à dúvida sobre o valor e a forma com que a Odebrecht repassaria valores. Havia, segundo ele, inicialmente uma divergência se seriam R$ 150 milhões ou R$ 300 milhões e a maneira como haveria pagamento. Lula, ainda de acordo com Palocci, defendia pagamento em "conta corrente".

"(...) Falei: 'presidente Lula, acho melhor esquecer essa ideia de conta corrente, a empresa sempre contribuiu conosco, nunca houve dificuldade em relação a essa contribuição. Eu acho que estabelecer esse tipo de relação não é adequado". Ele falou "vamos ver, tal"', disse Palocci.

Dias depois, narrou o ex-ministro Palocci, Lula levou Dilma à reunião com Emílio, "para que ele [Lula] diga a ela [Dilma] das relações que ele tinha com a Odebrecht e que ele queria que ela preservasse o conjunto daquelas relações em todos os seus aspectos, lícitos e ilícitos".

Questionado por Moro, o ex-ministro afirmou não ter participado do encontro, mas que foi informado a respeito por meio do ex-presidente Lula. "Tivemos uma ótima reunião e ele [Emilio] confirmou os R$ 300 milhões e falou que pode ser mais, se necessário."

Relação 'fluida'

O juiz federal então pergunta qual o ganho da Odebrecht em oferecer R$ 300 milhões. "O doutor Emilio nessa oportunidade não apresentou uma pauta de desejos da empresa específica. Ele apresentou a vontade de que, com o governo da presidente Dilma, a relação da Odebrecht com o governo continuasse fluida, da mesma maneira como havia sido a relação com o governo Lula", disse Palocci. "Não havia um ganho específico. A Odebrecht atuava nas hidrelétricas, atuava na Petrobras, atuava no Ministério da Defesa --a Odebrecht era responsável pelo projeto de submarinos."

"E o governo [Dilma] agiu a favor", questionou Moro. "Em diversas ocasiões", afirmou Palocci.

Reunião

O ex-ministro narrou uma reunião, em meados de 2010, na biblioteca do Palácio do Planalto que, segundo ele, também estavam presentes Lula, Gabrielli e Dilma Rousseff. Segundo Palocci, foi a primeira vez que o ex-presidente falou diretamente sobre o esquema de desvio de dinheiro.

“Eu chamei vocês aqui porque o pré-sal é o passaporte do Brasil para o futuro, é o que vai nos dar combustível para um projeto político de longo prazo no Brasil. Ele vai pagar as contas nacionais, vai ser o grande financiador das contas nacionais, dos grandes problemas do Brasil e eu quero que o Gabrielli faça as sondas pensando neste grande projeto para o Brasil. O Palocci está aqui porque ele vai lhe acompanhar neste projeto para que ele tenha total sucesso e para que ele garanta que uma parcela deste projeto financie a campanha desta companheira aqui, a Dilma Rousseff que eu quero ver eleita presidente do Brasil”.

Segundo Palocci, Lula encomendou para Gabrielli que através das sondas pagasse a campanha de 2010. “Obviamente, pedindo as empresas os valores que eram destinados à campanha”.

Palocci disse que conversou com Gabrielli depois da reunião e que o ex-presidente da Petrobras estava muito constrangido com o pedido de Lula. De acordo com Palocci, ele mesmo se ofereceu para tratar sobre o assunto com os diretores da Petrobras, mas que Gabrielli não aceitou.