5 de dez de 2014

OMISSÃO E DESCASO DE RICARDO MURAD MATA BEBÊ.

Mãe de bebê diagnosticada com Cardiopatia Congênita pediu ajuda ao Estado e conseguiu na Justiça uma liminar que determinou o transporte imediato e urgente da bebê Haléxia por uma UTI-AÉREA.

O Secretário de Saúde, Ricardo Murad, fez pouco caso da situação da bebê e não acatou a determinação da Justiça.

Um empresário chegou a emprestar R$ 50 mil para a desesperada mãe da criança. Tarde demais, o tempo fez com que a bebê não resistisse à viagem, vindo à óbito.

Já para familiares, a atitude de Ricardo Murad foi outra:

No final de 2013 Ricardo contratou serviço de UTI aérea para deslocamento de seu cunhado Alexandre César Trovão. Com dispensa de licitação, a Secretaria de Estado da Saúde fez uma contratação com a empresa Nortejet Táxi Aéreo Ltda, no valor de R$ 83.700,00.

A bebê Haléxia foi vítima de um gestor dissimulado e falastrão, aproveitador da desinformada população do Maranhão que atendeu seu apelo para eleger a filha deputada.

O DESABAFO DE UMA MÃE 

Halia Pimenta

MAIS UMA VITIMA DE SUCESSÕES DE ERROS

Quero tornar público e peço que vocês compartilhem com o máximo de pessoas para que outras mães saibam que se seus filhos forem diagnosticados com alguma doença que não tenha tratamento em seu estado de origem e precisar ser transportado por uma UTI-AÉREA o Estado precisa garantir que isso seja feito de imediato antes que aconteça o pior. Chega de pais terem que ver seus filhos morrerem porque o Estado nao faz nada. Precisamos mudar a estória de outras pessoas.

Primeiramente, quero deixar registrado que realizei todos os exames do pré-natal quando estava grávida e todos os resultados foram NORMAIS, mas quando Halexia nasceu (dia 24 de outubro de 2014, numa sexta-feira), realizou um exame de coração e foi diagnosticada por um profissional especialista na área com um problema no coração que para nós (pais) parecia não ser grave, já que teve alta sem NENHUMA INDICAÇÃO de medicação ou tratamento específico. A única recomendação foi realizar uma outra consulta na clinica em que o profissional trabalha após 20 (vinte dias) da data da alta porque era o tempo que a respiração dela já estaria melhor.

Exatamente 20 dias após a alta, HALÉXIA passou mal e procuramos um Hospital onde ela realizou exames e foi descoberto de fato o tipo de cardiopatia congênita (provável drenagem total de veias pulmonares intra cardíaca ) e que precisaria URGENTE de procedimento cirúrgico em outro Estado (para esse tipo de problema não tem atendimento no Estado do Maranhão, somente em Hospitais de referência no Estado de São Paulo). Além disso, ela precisaria ser transportada por meio de uma UTI-AÉREA que custa R$ 89.000,00. Fomos informados que o quadro dela nesse momento era estável, pois estava respirando sem ajuda de aparelhos o que ajudaria no transporte e na cirurgia, mas que teríamos que providenciar com URGÊNCIA antes que o quadro se agravasse para que não ocorressem outras complicações.

Então, começamos mais uma luta para a sobrevivência da Halexia. Como não temos esse dinheiro todo, procurei a orientação da Secretaria de Saúde do Estado do Maranhão (SES) onde, mesmo diante da situação de urgência (ela estava internada em UTI-Neonatal), fomos orientados por funcionários a realizar trâmites de procedimentos normais o que poderia complicar o quadro dela, uma vez que estávamos lutando contra o tempo. Desta forma, nos vimos obrigados a procurar o Judiciário, onde depois de alguns erros e desencontros conseguimos uma liminar. Achamos que a vitória estava garantida, porém de posse desta liminar procurei novamente a Secretaria de Saúde do Estado do Maranhão (SES) onde nenhuma providência havia sido tomada e o tempo, tão precioso para a vida da minha filha, foi sendo prolongado por conta de uma série de omissões. Deixei de ficar mais tempo ao lado dela na UTI pra ficar em fórum e Secretaria de Saúde para cobrar algo que o artigo 5º da nossa Carta Magna diz que é um direito garantido. E minha filha, que antes não precisava de aparelhos para respirar, agora já estava mais cansada e usando um “capacete” de oxigênio. Mesmo passando por tudo isso, funcionários do (SES) me ligaram dizendo que estava tudo resolvido com o Hospital e a UTI-aérea – descobri, porém, que mais uma vez eles estavam mentindo (o funcionário da UTI-aérea me ligou dizendo que não estava nada confirmado no Hospital de São Paulo e que por isso agente não poderia viajar). Novamente procurei o Judiciário para que fosse bloqueado o dinheiro da conta do (SES), visando a resolução do problema. Quando estava no fórum resolvendo isso um empresário soube da estória se compadeceu e sem nunca ter me visto me emprestou o dinheiro R$ 50.000,00 (taxa de transferência) para que fosse depositado na conta do hospital que lição de solidariedade. Nesse dia o estado de saúde da minha filha se agravou e com o transporte ela ficou mais debilitada. Conseguimos depois de muito tempo lutando pegar o vôo em uti aérea, porém com uma hora de vôo ela teve a primeira parada cardíaca ali, na minha frente. Presenciei cenas de horror para qualquer mãe, nessa hora peguei no pezinho dela e disse: “força filha você vai conseguir”. Infelizmente tivemos que retornar para São Luís e ela acabou falecendo no hospital.

O que eu quero chamar atenção é para o descaso com a vida de um ser humano. Quantas Halexias já morreram e quantas ainda precisaram morrer para que o Estado tome providências? Fico indignada por tantas atrocidades, primeiro pelo diagnostico errado, depois pelos erros do judiciário e da Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão. Contudo, ela ainda lutava pra viver, pois quando deu entrada na UTI Neonatal ela estava respirando sem ajuda de nenhum aparelho, mas demorou tanto esperando a resolução de todas essas séries de erros que acabou não resistindo. Me dói ela não ter tido o direito de fazer a cirurgia. Quantas mães ainda terão que passar por isso? Me dói que, mesmo lutando todos os dias incansavelmente, não pude cumprir a promessa que fiz pra ela, porque todos os dias quando me despedia dela no hospital eu encostava os meus lábios no ouvidinho dela e dizia: “Filha, a mamãe vai levar você para São Paulo e você vai conseguir. Continue lutando pela sua vida aqui que a mamãe faz o resto”. Eu fui privada de cumprir a promessa que fiz para a minha filha, promessa de mãe é sagrada.

A minha filha foi uma guerreira, lutou até o fim pela vida dela. Eu também lutei junto com ela, nós fizemos a nossa parte, mas infelizmente quem deveria ter nos amparado e feito alguma coisa não fez. Ela se foi e deixou um enorme vazio dentro de mim que eu pretendo preencher continuando a luta, agora em prol da vida de outras pessoas que precisam de um hospital em outros Estados, porque o seu de origem não oferece o tratamento. Pessoas que precisam de uma UTI-aérea e não tem R$ 89.000,00 para pagar pelo serviço. Eu não aceito que a luta dela e a minha tenham sido em vão. Eu tenho sede de justiça, por isso peço que vocês divulguem para que outras pessoas leiam e que as autoridades tomem providências. O meu objetivo é converter toda essa dor que sinto em sentimentos bons que alcancem outras pessoas e as tornem mais humanas, solidarias eu quero espalhar o amor ao próximo porque se todas as pessoas possuíssem esses sentimentos faria muita diferença na vida de outras pessoas, lembro que um dos ensinamentos bíblicos é amai-vos uns aos outros, isso deveria inspirar pessoas. Eu quero que outras mães tenham a oportunidade que eu não tive. Se eu conseguir alcançar ao menos um juiz para que ele priorize uma ação que visa garantir a vida de alguém; um advogado que ajude uma mãe que não tem condições de pagar seus honorários a fazer uma petição visando garantir o bem maior que é a vida; um gestor de saúde que priorize a vida de seus cidadãos, um médico para que ele cumpra o juramento que fez de salvar vidas, se essa mensagem conseguir alcançar ao menos o coração de uma pessoa e fizer com que ela se torne alguém melhor, que realmente faça a diferença na vida de outra pessoa, já terá válido a pena ter postado essa mensagem. Quanto à minha dor, ela é tão imensa que não consigo descrever, ainda consigo sentir o cheiro dela em toda parte, escuto o seu chorinho, sinto o toque da pele dela e quando eu quero matar a saudade de tudo isso, eu simplesmente procuro ela em todos os cantos da casa e não a encontro, eita dor que me consome, quem já perdeu um filho sabe do que eu estou falando, mas essa luta tem me dado força para viver e espalhar o bem por ai.