terça-feira, 4 de junho de 2013

Silas Malafaia abre o verbo no Congresso em Foco.

Congresso em Foco – O que vocês querem dizer com a defesa da liberdade de expressão? O senhor falou neste feriado sobre o controle da mídia…
Pastor Silas Malafaia – Tem áreas da esquerda que querem controlar o conteúdo da mídia. Imprensa livre é base do estado democrático de direito. Liberdade de expressão porque o ativismo gay quer criminalizar a opinião. Em qualquer lugar do mundo, você pode falar contra a prática homossexual. Aqui eles querem dizer que é homofóbico. Eles me denunciaram ao Ministério Público por fala. Quando é que eu bati num gay? Como é que sou homofóbico? Então, liberdade de expressão, que está atrelado a liberdade religiosa, para eu pregar e falar contra o que eu quiser. Isso é que é estado democrático de direito.
O senhor fala daquela passeata gay que fez piada com os símbolos da igreja católica? [Malafaia foi denunciado porque disse na TV que a igreja católica deveria criticar os homossexuais, usando a metáfora descer o “porrete”. A Justiça arquivou a denúncia, mas houve recurso à segunda instância.]
Esse é o segundo caso. O primeiro não deu nem pro cheiro – a primeira vez tem cinco anos. Agora, em 2011. Eles recorreram à segunda instância.
O outro eixo é a família tradicional.
A questão é a seguinte, amigo. Querem dar status, a comportamento, de raça. Ninguém pede para nascer branco ou negro. É. Homossexualismo, não. Ninguém nasce homossexual, não existe nenhuma prova na genética, em nenhum lugar. A prova é que 48% dos caras que são gays foram violentados quando eram crianças ou adolescentes. Violência sexual.
Isso é pesquisa de quem, pastor?
Pesquisa americana. Pode pegar qualquer livro que levanta pesquisa sobre movimento gay que está lá.
São dados do EUA, então.
Filho, eu estou numa igreja. Vem ver aqui os caras que vêm pedir socorro por homossexualismo. Eu ainda não vi que veio aqui na minha igreja que disse assim: “Eu quis ser gay e agora quero mudar”. Não! Tudo sofreu violência os que vêm aqui. É um negócio maluco.
Dos que o senhor atende, todos sofrem violência?
Até aqui. Pode ser que amanhã apareça dizendo que não: “Eu sou gay porque quero”. E acredito que muitos, porque o ser humano vive de modelos de imitação. Quanto mais você colocar em prática um modelo para ser imitado pela sociedade, ele mais vai ter aflição disso aí. O ser humano é tremendamente social. Ele se desenvolve nas relações sociais. Essa história de que todo mundo que é gay é porque nasceu gay… Quer dizer que a Daniela Mercury [cantora que há dois meses ela assumiu um relacionamento com uma jornalista] nasceu gay? A mulher foi casada nove anos com um homem. Ela estava transando com um homem e pensando em uma mulher? Pra cima de mim? A mulher tem filhos, tem três, quatro, cinco filhos, sei lá quantos filhos ela tem. Então, ela já nasceu gay por algum acaso? É papo. Isso é conversa pra boi dormir.
Quantos o senhor atendeu? Este ano?
Esse ano até que eu atendi uns três. Até porque eu não fico muito em área de atendimento, porque eu sou pastor da organização. Tem uma “pastorada” minha grande, tem atendimento de domingo a domingo aqui na igreja.
E no ano passado? Mais de dez? Mais de 20?
Mais de dez com certeza. Meu amigo, isso é uma verdade. A pesquisa americana retrata o que é no mundo. Eles não querem falar. Eles não dizem. Quase que a metade sofreu abuso. Pô, pelo amor de Deus, o cara nasce gay aonde?
Defender a família tradicional quer dizer que vocês são contra o casamento gay?
A gente tem que construir uma tese. Não é “eu não quero” e acabou. Se é pra aprovar qualquer comportamento, o que não tem ativismo não legaliza? Por que não legaliza o cara casar com duas ou três mulheres, já que muitos têm? Por que não legaliza o cara casar com um homem e com uma mulher? Uma mulher casar com um homem e outra mulher? Por que não legaliza isso? É comportamento também. Tem um monte de cara com duas mulheres, três. Manda casar todo mundo. Por quê? Só que porque não tem ativismo? Isso é hipocrisia da sociedade. Então, legaliza tudo pra ver onde que vai parar a sociedade. Casamento tem a ver com a perpetuação da espécie. Toda a história da civilização humana – não estou falando de teologia, é antropológico, é sociológico – é um homem, mulher e prole. Isso é história da civilização humana. O resto é blá-blá-blá. Homossexualismo sempre existiu desde que o pecado entrou no mundo. Agora, ativismo gay é coisa de 25 anos pra cá. Império romano, grego, assírio, babilônico…
O senhor declarou em entrevista neste feriado que qualquer um é livre pra fazer o que quiser…
Qualquer um é livre para ser o que quiser ser.
Então porque o senhor é contra o casamento gay, já que é um direito individual?
Vamos devagar. Cada um é livre para ser o que quiser ser. Mas tudo o que você quer ser tem uma consequência. Você é livre, mas, se vamos legalizar um comportamento, então legalizemos todos. Vamos legalizar o cara que cheira cocaína, maconha. Também é um comportamento. Vamos liberar, pô, vamos liberar tudo. Cara que tem três mulheres. Por que não pede para liberar o casamento do cara com quatro mulheres?
Mas o senhor é a favor de legalizar o casamento gay, as drogas e a bigamia?
Eu não sou a favor de legalizar nada. Estou querendo provar que, quanto mais a sociedade quebra limites, meu amigo, ela se afunda na lama. Já que estão querendo legalizar o casamento gay, então porque não querem legalizar o cara que tem duas ou três quatro mulheres?
Mas está cheio de deputados querendo legalizar as drogas, não sei a bigamia.
Tá cheio de deputados. Vamos ver a sociedade! Portugal legalizou e aumentou o número de consumidores. Ninguém fala isso [Na semana passada, Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras Drogas (Abead) condenou a legalização da maconha porque, em sete países, o consumo aumentou e a idade de experimentação baixou]. Vai ver o tamanhozinho de Portugal. Vai ver o Brasil, com essa fronteira toda aberta aí, com os maiores produtores de droga do mundo colados com a gente. Pra que lei seca? Isso é uma incoerência dos infernos. Se o cara pode cheirar cocaína, libera tudo. “Ah, diminui acidentes e problemas pro Estado pagar”. Rapaz, esses caras estão loucos. O nosso Estado não cuida nem saúde das pessoas, vai cuidar agora… Olha o que o crack e essas drogas fazem. Ninguém começa com crack, começa com maconha…
Voltando à pergunta: se é uma questão individual, porque não formalizar e passar um papel para eles terem direito a herança?
Se é para direitos individuais, vamos liberar tudo. Se você entrar na tese dos direitos individuais, vai liberar tudo.
Mas eles querem liberar tudo. E aí?
Então, eu sou contra. Contra casamento gay, liberação das drogas, aborto. Se a sociedade liberar tudo, ela se destrói. Teve um cara que escreveu livro lançado agora em maio, um filósofo, mostrando a decadência do ocidente. E a decadência do ocidente tem a ver com questões morais também. O modelo judaico-cristão está sendo substituído pelo modelo humanista-ateísta. O jogo é mais profundo. Quem é que faz defesa de vida? É o modelo judaico-cristão. Quem é que dá a questão da família monogâmica? O modelo cristão. É que está na sociedade e o é o que tem dado certo. Vai ver o problema de gente sem identificação de pai e mãe.
E o da vida? O protesto é à tarde. Pela manhã, a Câmara vota o Estatuto do Nascituro e a bolsa estupro. Vocês defendem?
Claro. Tudo o que for pra proteger a vida conta com a gente. Tudo contra a vida, não tem um centavo. E a coisa do aborto é incrível. Quem te falou que o feto é prolongamento do corpo da mulher? Na gestação, o feto é o agente ativo; a mulher, o passivo.  Quer ver a prova? Um óvulo fecundado de um casal negro implantado numa mulher branca vai nascer um negro. O óvulo fecundado de um casal branco implantado numa mulher negra vai nascer branco. É pra provar que não é prolongamento dela. Se não é prolongamento dela, ela não tem poder de decidir aquilo que não é prolongamento. Ela tem poder de decidir sobre cortar o cabelo, aparar a unha. É prolongamento do corpo dela. O feto, não. Se não estivesse protegido pela bolsa, ele era expulso como corpo estranho.
E a eutanásia e a ortotanásia?
Sou contra qualquer coisa que venha  tirar a vida. O ex-ministro [do Supremo Tribunal Federal] Menezes Direito [falecido em 2009], aquele católico, disse uma frase linda: “Todo ser humano nasce pra morrer, pode ser a um segundo ou um milésimo de segundo, depois que ele vem à vida. Mas nenhum ser humano tem direito de determinar a hora do outro morrer. Porque nenhum ser humano é mais humano do que o outro”.
E amanhã [quarta-feira], irmão, nós vamos descer o bambu, meu filho. O couro vai comer. Vai ser bonito.
Quantas pessoas?
Acredito que vai ter umas 100 mil pessoas pra dia de semana de trabalho. Não é brinquedo não.
Uma provocação. Ouvi de pessoa evangélica: “Não temos que impedir o casamento gay deles, mas evangelizar as pessoas, porque é um direito delas fazer o pecado, o erro, e convencê-los com as ideias que estão errados”.
Isso é bonitinho. Não sabia que tinha politicamente correto gospel. Nós combatemos comportamentos, e não pessoas. Nós combatemos pecados. Na Bíblia, homossexualismo é pecado. O cara que você está dizendo está totalmente desconectado do que a Bíblia diz. A Bíblia diz: “Não vos conformei com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” [Romanos capítulo 12, verso 2]. Como você transforma alguma coisa? Dizendo que tá tudo bem? Que não tem problema? Isso é conversa. Claro que tem que evangelizar. A Bíblia tá cheia de condenação de pecados. Jesus falou, o apóstolo Paulo falou. Ele precisa ler mais a Bíblia.
E quanto ao PL 122, que criminaliza a discriminação aos homossexuais, a homofobia. Está resolvida a questão? O acordo feito pela Marta Suplicy [senadora licenciada do PT-SP e ministra da Cultura] não retirou aquela proibição de pregar contra a homossexualidade?
Claro que não. Esses caras querem privilégio. Não são eles que vão nos dar esse direito. Eu não dependo de ninguém para me dar direito de pregar. A Constituição dá.  Ninguém poder ser discriminado por convicção política, ideológica e filosófica.
Então o projeto é inofensivo, já que a Constituição garante o direito?
Inofensivo? É claro que a Constituição garante. Então, o projeto é inconstitucional [risos].
Mas e o acordo?
Não tem acordo. Filho, a dona Marta Suplicy, querendo jogar pra plateia porque queria ser candidata a prefeita, e olhando para o voto evangélico… Eu vou na ferida pra dizer a verdade. Ela veio com essa falácia. Pega lá o PL 122. Eles querem aprovar aquilo que está lá. E aquilo é inconstitucional, uma afronta à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. Nunca vi um grupo querer direitos em detrimento do direito de outros. Taí a Lei Maria da Penha. É tudo pra proteger um grupo, sem detrimento de outros. O ativismo gay quer proteção, em detrimento dos outros. Eu vou ficar quieto? Não posso. O PL 122 não tem em lugar nenhum do mundo, em país adiantado e moderno.
Tem espaço para dialogar com os grupos que pensam diferente do senhor?
Como vou dialogar com os caras que usam a mentira e a calúnia para me denunciar ao Ministério Público? Como vou negociar com quem usa a mentira e a calúnia pra me denunciar pra tentar cassar minha credencial de psicólogo? Como vou dialogar com os caras que usam a calúnia e a difamação pra tentar tirar meu programa [de TV] do ar no Ministério da Justiça? Como faz pra dialogar? Não tem conversa. Vou dialogar com quem aparece na mídia bonitinho e, por trás, vive fazendo cachorrada e safadeza?
O deputado Domingos Dutra (PT-MA) me disse que vocês querem “expor força para amedrontar” a presidente Dilma às vésperas da eleição para ameaçar no ano que vem não apoiá-la. O senhor não tem simpatias pelo PT, mas muitos evangélicos têm…
Eu não tenho simpatia pelo PT? Que conversa é essa? O cara que apareceu no TRE [programa eleitoral] do Lula fui eu em 2002. Fui membro do Conselho Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Quem é que está apoiando Lindbergh [Farias, senador do PT-RJ pré-candidato ao governo do estado, em oposição a Pezão, do PMDB, apoiado por Sérgio Cabral, o atual governador] no Rio de Janeiro? Sou eu! Agora, sabe como é a doutrina do PT? Você não pode ter ideias, você não pode discordar deles. Eles estão enganados. Estão pensando que sou massa de manobra deles? Ajudei a eleger Walter Pinheiro [PT], que é senador pela Bahia, que é evangélico.
Mas o Domingos Dutra diz que isso é pra pressionar a Dilma.
Ele não sabe o que está falando. Ouviu o passarinho cantar e nem sabe o nome dele.
O senhor vai apoiar Dilma em 2014? Aécio? Marina?
Tem que ter alternância de poder, nem PT, nem PSDB…
Mas o senhor apoiou o José Serra na prefeitura de São Paulo no ano passado. Vários candidatos no Rio. O senhor sempre se manifesta.
Apoiei 25 candidatos a prefeito, 18 ganharam. Para vereador, apoiei 20. Dezoito se elegeram.
Então, como seu apoio é importante, o senhor não acredita que, mesmo sem intenção, o governo pode entender o protesto como um recado?
O governo pode fazer o que quiser.
Como vai ser o evento?
Essa vai ser a maior reunião com o maior número de líderes da igreja evangélica até hoje.
É a primeira reunião depois da resolução do CNJ do casamento gay, né?
Sim. Eles vão tomar um pau que não vai ser brincadeira. Vou bater com vontade no CNJ. E vou bater em qualquer um que queira controlar a imprensa.  A máxima nossa é imprensa sempre livre até pra falar mal de nós [risos]. Esses idiotas chamando-nos de fundamentalistas reacionários estão por fora. Queremos uma imprensa terrivelmente livre, que é fundamento pro estado democrático de direito. Vou lá e vou descer o bambu sobre qualquer tentativa de cercear a imprensa. Isso aqui não é Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia e nem Guatemala. É o que vou dizer lá.